terça-feira, 24 de maio de 2011

Barra do Riacho vive dia de guerra ocasionada pela PM-ES





(Reportagem exibida pelo programa ESTV 2º edição da tv gazeta filiada da Rede Globo)


Nesta quarta feira (18/05/11) uma grande operação policial foi feita em Barra do Riacho para retirada dos moradores que ocupavam a área, que de acordo com Plano Diretor Municipal (PDM) é classificada como Zona Especial de Interesse Social (ZEIS) e pertencente à prefeitura de Aracruz, prefeitura está que conseguiu na justiça um mandato de reintegração de posse a cerca de 6 meses.




(ZEIS- São porções do território destinadas, prioritariamente, à recuperação urbanística, à regularização fundiária e produções de habitações de interesse social definidos nesta lei, incluindo a recuperação de imóveis degradados, a provisão de equipamentos sociais e culturais, espaços públicos, serviço e comércio de caráter local)



Cerca de 400 policiais fortemente armados, formados pelo Batalhão de Missões Especiais (B.M.E), Grupo de Apoio Operacional (G.A.O), e praticamente toda a corporação militar das regiões mais próximas, completavam a operação militar.
Cavalaria, cachorros, atiradores de elite posicionados no alto da torre da empresa Ultragaz, nas matas próximas, e até mesmo um helicóptero ao qual também continha dois atiradores de elite da polícia, segundo informações vindas da própria PM, integravam o ataque sub-humano da PM-ES. Ou seja, foi montada uma operação para uma verdadeira guerra civil. Porém um detalhe importante desta guerra tem que ser destacado, onde de um lado havia todo esse arsenal da PM-ES já descrito acima, e de outro lado havia um povo guerreiro, e que em uma das suas mãos segurava a arma chamada de direito de moradia, na outra mão encontrava-se a arma cujo nome era direito de terra para uma vida simples e normal daqueles SERES HUMANOS. Não podemos esquecer ainda, o escudo que povo utilizou para se defender dos ataques massacrantes feitos pela PM-ES, esse escudo recebe o nome de coração, isso mesmo, o único escudo que o povo utilizou foi os seus corações cheios de esperança e amor, na expectativa de um cantinho nesse país grandioso ao quais todos somos filhos.



(Início da operação, helicópteros com atiradores de elite miravam em todos inclusive a imprensa)


A operação começou por volta da 07h00min, e ao contrário do que foi prometido pelas autoridades, onde foi anunciado em toda imprensa local que haveria um prazo de 3 horas para retirada de seus pertences de dentro das casas, o que se viu foi uma truculência total. Moradores pediam pelo menos que retirassem seus documentos de dentro das moradias, e a resposta dos policiais foi em forma de tiros, bombas e agressões diversas distribuídas sem temor.
Esse cenário continuou durante todo o dia, só amenizando em alguns momentos e no fim da tarde, quando o povo já sem forças para lutar e resistir somente acompanhou o som de suas residências indo a ruínas, levando também todo um sonho de uma casa própria construída com sacrifícios, ajuda de amigos e parentes, empréstimos, toda economia feita durante a vida toda aplicada nesse sonho que, em poucas investidas dos tratores veio ao chão.




(Homens, mulheres, jovens e crianças acompanham o instante em que a última casa é derrubada, momento em que o silêncio só é interrompido pelo o som da tristeza e destruição dos sonhos de muitos)



(Antes do início da operação policial, funcionários da prefeitura juntamente com todo maquinário já estavam de prontidão na entrada oeste de Barra do Riacho, na linha de trem)

(Juntamente com toda equipe da prefeitura, já havia algumas viaturas dando as últimas coordenadas para os funcionários e também à espera de toda tropa. Isso por volta das 7:30)


(Entre às 8:00 e 8:30 o G.A.O cercou a entrada do Bairro Nova Esperança na rua do clube Vila Nova, não deixando mais quem estivesse fora entrar, e nem quem estivesse dentro sair)


(Até mesmo dentro do Clube Vila Nova, houve o monitoriamento dos policiais, inclusive com resvista em toda área pertecente ao clube)


(Nesse momento do cerco policial, próximo ao campo, os moradores do Nova Esperança fizeram uma corrente humana na tentativa pacífica de proteger suas moradias)


(Tudo em vão, a única opção restante foi uma brava batalha contra o forte aparato policial, que veio na expectativa de um possível reforço dos moradores do Bairro Nova Esperança, com o MST do norte do Estado do Espírito Santo e outros movimentos sociais, como Via Campesina)


(O acesso norte de Barra do Riacho, foi fechado durante toda truculência policial)


(No final da tarde entre às 16:00 e 16:30, mas uma tentiva desesperada dos moradores para impedir o fim dos seus sonhos. Mas uma vez a resposta foi em forma de tiros de balas de borrachas, bombas de gáz e agressões de diversas formas inimagináveis. Também foi nesse momento em que um idoso foi atingido por uma bala de borracha em seu joelho)


(Momento em que a máquina sedenta da prefeitura municipal de Aracruz, se aproxima da última casa ainda de pé do então Bairro Nova Esperança em Barra do Riacho)


(Depois de um longo dia de desespero e sofrimento, o serviço foi executado)


(O B.M.E mesmo ainda vendo as ruínas causadas, ainda permaneciam fortemente dispostos na entrada do bairro próxima a empresa Ultragáz)


(No fim, as máquinas ainda destruiam algumas instalações que haviam no bairro)

(No acesso do bairro Nova Esperança, via Chic-Chic, o B.M.E ainda mantinha posição contra os moradores. Nesse momento qualquer tipo de aproximação, seja por quem fosse, já era motivo para uma arma apontada desnecessariamente. Até no levantar das câmeras da imprensa para um registro, a resposta era a mesma)


(Desolados, os moradores apenas acompanhavam a ação errónea policial, nesse dia lamentávél para toda sociedade espírito-santense, e especificamente vergonhoso para o município movido pela ganância, chamado Aracruz)




(No fim do dia, o que restou foi o descanso sobre o que um dia foi um sonho. Esse dia 18 de Maio de 2011, nos remetem a analisar o trecho da música do poeta social brasileiro, chamado Edson Gomes, escreve ele:)



"Sou bom rapaz, só não tenho tradição
Em contra partida sou, de boa familía.

Olha doutor, podemos rever a situação
Pare a polícia, ela não é a solução, não.

Não sou ninguém, nem tenho pra quem apelar
Só tenho o meu bem que também não é ninguém

Quando a polícia cai em cima de mim
Até parece que sou fera
Quando a polícia cai em cima de mim
Até parece que sou fera

Até parece, até parece... "



Não estamos questionando quem está certou ou que está errado nessa história, o fato é que, o que houve em Barra do Riacho no dia 18/05/2011 foi uma tremenda atrocidade por portes daqueles que deveriam nos oferecer uma vida digna como seres humanos e amantes desta terra.

Um comentário:

  1. Dar cobertura para invasor gera dividendos politicos. Abaixo a hipocrisia, vamos respeitar as leis, vamos respeitar a constituição. A terra é para quem trabalha e paga sua aquisição.

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